segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Axezeiro



Axezeiro


Entrevista para o Portal Axezeiro, 24/10/2011.

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Jovem, baiano, ambicioso e com uma profissão vista com maus olhos por muitas pessoas. Usando o nome fictício de Gabriel Ferrari [sim, o sobrenome é em homenagem ao potente carro e ele assegura que sua pegada também é forte], este profissional do sexo ganhou destaque na mídia baiana por escrever um blog[www.gabrielesuaferrari.blogspot.com] onde conta curiosidade de suas experiências profissionais, mas sempre preservando a imagem da clientela, que diga de passagem só faz aumentar.  Em entrevista ao Portal Axezeiro, Gabriel conta todos os detalhes de seu “mundo” e ajuda a desmitificar a profissão dos garotos e garotas de programa.

Portal Axezeiro: Com o que você trabalhava antes de começar a fazer programa?

Gabriel Ferrari: Eu era vendedor.

PA: E de onde veio a ideia para esta atual profissão? Alguém sugeriu?

GF: Eu apenas observei a possibilidade que algumas pessoas encontram nesse trabalho para conseguirem realizar suas conquistas na vida. Fui curioso, pesquisei, conheci pessoas que trabalhavam nisso, e assim fui criando coragem para começar.

PA: Quanto tempo trabalhando como profissional do sexo?

GF: Estou a mais ou menos um ano e quatro meses trabalhando nisso, por enquanto. Por que sim, este é um trabalho passageiro. E não pretendo ficar muito tempo nessa fase.

PA: Em média quantas vezes mais você ganha comparado ao seu antigo emprego?

GF: Quinze vezes mais.

PA: Falando em lucro, sua família não sabe qual a sua atual profissão. Como explicar em casa coisas como o carro novo?
GF: Criatividade e descrição. Vou criando trabalhos passageiros, gasto pouco, por enquanto dá pra disfarçar. Mas ninguém reclama muito de onde vem meu dinheiro, afinal, agora eu que pago as contas. Então, tudo certo na Bahia.

PA: Você realmente aparenta não ostentar luxo. Prefere mesmo uma vida mais simples ou segue essa linha para não chamar a atenção das pessoas próxima que não sabem de seu trabalho?

GF: As duas coisas. Mas não sou tão controlado assim, às vezes gosto de me permitir. Afinal, eu posso. Eu trabalho para isso. Mas tenho planos também, e isso é o mais importante.

PA: Sua namorada sabe de tudo. Como ela encara? Você conversou com ela antes de começar?

GF: Temos uma relação muito aberta desde o início. Sempre fui sincero, e desde o começo expliquei que trato este trabalho como qualquer outro. Sou correto e profissional, não misturo minha vida pessoal com o trabalho. Continuo sendo o mesmo de sempre.

PA: Em média quantos programas você faz por dia? Sobra tempo para namorar?

GF: Depende do dia. Tem dias que faço quatro, e outros em que faço um só. Depende de mim também. Eu faço meus horários, minhas folgas. E sim, sempre dá tempo pra namorar.

PA: Além dos programas você tem um blog super acessado. Como surgiu a ideia e onde você encontra tempo para atualizar?

GF: Todo mundo tem curiosidade em saber o que acontece num quarto de motel. Ou no dia a dia de uma pessoa que trabalha com o sexo. Eu percebi que muita gente tinha dúvidas e até não sabia como procurar este serviço. E muitas tinham vergonha e receio, por às vezes discriminarem o trabalho de um garoto ou garota de programa. Então comecei a contar de forma criativa e bem humorada o que acontece nesse meio. E propaganda é a alma do negócio, não é mesmo? Mas o mais incrível é poder escrever para milhares de pessoas espalhadas em todo o mundo, e saber que estão gostando do que encontram ali.

PA: O blog transformou você praticamente em uma celebridade, mesmo que oculta. Já pensou em uma carreira artística?

GF: Não tenho intenção nisso. Gosto de ser anônimo, é um charme, sabe?! Eu teria que transformar muito a minha vida para encarar isso. Ainda existe um mundo hipócrita ai fora, e ele está pronto pra nos devorar no menor deslize. E eu não tenho intenção nenhuma de escorregar nele. Eu quero mesmo é contar, contar e surpreender a todos.

PA: As pessoas costumam dizer que a vida das pessoas que fazem programa é fácil, mas certamente não é bem assim. Quais as situações mais complicadas para quem opta por este trabalho?

GF: O mais difícil é se libertar dos seus preconceitos. Saber quem você é e o que pretende seguindo essa trilha. Entender que terá que sacrificar sua vontade e seu tempo para satisfazer desejos e vontades dos outros. Não é uma vida fácil, não, lidamos com pessoas. Pode acontecer de tudo. Mas se tiver a cabeça no lugar, consegue tirar de letra. E o dinheiro que ganhamos acho uma recompensa justa para tais sacrifícios.

PA: Fala um pouco sobre os clientes, você é mais procurado pelas mulheres ou homens?

GF: Pelos dois. A maioria são homens casados, mulheres solteiras. Casais em busca de novas fantasias. Mulheres que não se satisfazem com os maridos. Pessoas que querem uma companhia, uma conversa, atenção.  Não é sempre sexo. É sexo e um pouco mais. É poder se sentir bem depois de estar em uma boa companhia.

PA: E a média de idade?

GF: A maioria passa dos trinta.

PA: Dá pra ficar amigo dos clientes?

GF: Dá pra ter uma conversa sincera, verdadeira. Um bom momento. Mas só naquelas horinhas. Não misturo as coisas. Mas respeito e trato da melhor forma possível todos que encontro no dia a dia.

PA: Sua atual profissão tem prazo de validade?

GF: Sim, não vai durar muito.  Gabriel não verá a Copa do Mundo.

PA: Gabriel, muito obrigado. Deixa um recado para quem pensa em fazer o mesmo que você e os que têm certo preconceito.

GF: Olha, não aconselho ninguém a fazer o mesmo que eu. Acho que existem outras opções por ai, basta ser inteligente e ter paciência. É preciso sacrificar muitas coisas para trabalhar nisso. E muitos que entram, não tiram tanto proveito do que conseguem. Eu escolhi esse caminho porque sou ambicioso, impaciente, e vi um jeito satisfatório de tirar proveito de certos talentos. Mas não é assim com todo mundo. E quanto ao preconceito, acho que todo mundo tem direito de pensar da forma que quiser, contanto que não agridam a forma de pensar e viver dos outros. Muita coisa não é o que parece, o mundo e as pessoas podem te surpreender quando você menos espera. Fetiche e opção sexual são duas coisas completamente diferentes. Variar na hora do sexo não te classifica como isso ou aquilo. Fazer sexo anal não te deixa menos homem. Querer o que seu marido não tem não te faz uma mulher infiel, apenas mais exigente.  Sexo é um momento, prazer é uma sensação. Isso não muda quem você é, ou de quem você gosta. Quando as pessoas entenderem que tem o direito e podem ser livres para “gozar” da vida como quiserem, este mundo será menos preconceituoso. 

Para quem quer saber mais sobre meu trabalho o blog é o www.gabrielesuaferrari.blogspot.com.

Por Robson Cobain
Foto: EliteBoy


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Gabriel Ferrari

15 comentários:

  1. Você não sossega não é? Baca esta possibilidade de estar ainda que de maneira tímida em um pouquinho de cada mídia, com um discurso coeso, equilibrado e pacigficador no que diz respeito as preferencias e principalmente aos preconceitos... A humanidade ainda terá que comer muita poeira pra alcançar um chão verdadeiramente pavimento e tratar suas relações com igualdade, sensibilidade e principalemnte respeito. São estas caracteristicas que apaixonam em você. Me torno repetitivo se volto a dizer que já estou com saudade???

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    Obrigado pela observação. Mas também vou fazer uma, desculpa, mas não faço a mínima idéia de quem você do comentário acima, seja. Mas obrigado assim mesmo.

    Quando comentarem, de forma tão cuidadosa e carinhosa, deixem uma identificação. Não precisa ser o nome, mas um apelido que eu saiba, um nick, como me conhece, senão fica difícil retribuir o elogio. :)

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  3. Gabriel parabéns pelo entrevista. Sempre pensei em contratar um garoto de programa, desejo viver essa aventura, como você diz, o momento do sexo e a sensação do prazer. Quando descobri seu blog, me senti muito confortável em contratar seus serviços, diferente de qualquer outro que eu já tenha visto. Sua postura verbal, mostra é uma grande prova da sua qualidade mental, além da parte física, vc é um cara que sabe o que está fazendo, e aparenta fazer muito bem. Mia uma vez, parabéns pelo respeito que vc impõe sobre seus clientes e principalmente em vc. Espero conhece-lo antes mesmo que acabe sua temporada, haha. Grande abraço!

    Lucas

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  4. VOCÊ É UM MENINO QUE SEMPRE SOUBE O QUE QUERIA , A CONSTRUÇÃO DA PERSONALIDADE , DAS ESCOLHAS , DA ACEITAÇÃO , DO SUCESSSSSSO... É APENAS O REFLEXO DE UMA SEMENTE QUE JÁ FOI PLANTADA A ALGUM TEMPO ATRÁS E IRRIGADA ATÉ OS DIAS ATUAIS COM MUITA INTELIGÊNCIA , SIMPATIA E DETERMINAÇÃO...PARABÉNS E SIGA EM FRENTE. AH O MEU NICK ACHO QUE VC CONHECE ... TONY.

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  5. Muito obrigado pela entrevista Gabriel! Ótimas respostas. Ponto de vista firme. Lhe desejo muito sucesso na vida meu caro!

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  6. ...

    Obrigado a você, amigo Axezeiro. Um abraço e sucesso também.

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  7. velho vc,se tornou uma celebridade adoro ler seus contos e estamos curiosos pra te conhecer boa sorte.

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  8. Oi Gabriel realmente a propaganda e a almo do negocio kd as fotos,elas servem para apimentar ainda mas as fantasias e loucuras que passam na nossa mente.Somos um casal loucos para conher essa ferrari.

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  9. Comecei a ler seu blog hoje e já estou amarradão. Voltarei mais vezes com certeza. Abração rapaz!

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  10. Aonde esta vocÊÊÊ...Me telefona... Me chama, me chama, me chama...

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  11. "Existe um mundo hipócrita ai fora, e ele está pronto pra nos devorar no menor deslize". Faço minhas as suas palavras para justificar a minha apreensão. Demorei bastante até decidir contratar o serviço... Em alguns dos meus acessos ao blog, fiquei tentando decifrar o pedaço do seu rosto que aparece nas fotos, a fim de encontrar traços conhecidos. E é óbvio que encontrei. Pois sempre há alguém parecido com a gente. Mas pensei "não, não pode ser". E um pouquinho mais de raciocínio me fez juntar o tico com o teco e ver que o corpo é BEM diferente. Não, eu não vi o corpo da pessoa que se assemelha com metade do seu rosto eheh, mas porte físico a gente percebe, mesmo dentro da roupa.
    Outra apreensão: temos quase a mesma idade, será que nos conhecemos? Morrerei de vergonha. Ahmeudeus! Se a gente tá na chuva é para se molhar, mas não daria para evitar a surpresa e a timidez. Perguntei: - Será que nos conhecemos? / - Qual o valor? / - Tempo? / - Dia e horário? (com exceção sobre o “será que nos conhecemos?”), foi mais fácil e agradável que marcar salão ou SPA. Digo isso porque pensei nesse serviço como um tratamento de beleza, subtraída a parte da apreensão, que neste último inexiste.
    E bote apreensão nisso. Almocei tomando cerveja. Segui para o local do encontro e lá, enquanto esperava, tomei duas ICEs. Pensei “se estiver ‘altinha’ pode ser mais relaxado”. Liguei a TV pra começar a me animar. Liguei o som, tocava música de romance, troquei para música de boate. Desliguei todas as luzes (li um relato numa revista feminina em que a mulher contava que recebeu o novo amigo no escuro, tamanho o receio). Desliguei o som, religuei as luzes (não perderia o melhor do espetáculo, aí é demais). “Permita-se”, tá aqui pra que? Sentei e esperei.
    Recebi o nosso amigo dizendo “ufa. não te conheço”. Entendam como o “boa tarde” do momento rs. Conversamos um pouco, eu disse que estava nervosa, conversamos um pouco, eu disse que ia ao banheiro. E a pessoa me parou no meio do caminho. Aí já era, né? Como dizem os meninos, “caiu na rede é peixe”. A apreensão passou em segundos. E eu aproveitei cada segundo a partir dali. Sem parar, pois a Ferrari é mesmo um espetáculo de potência. Percorreu cada pedacinho do autódromo.
    Resolvi escrever o depoimento porque é fato que, como eu, muitas mulheres têm receio em contratar um serviço de acompanhante. Leva tempo para tomar a decisão, podemos ter as mais variadas dúvidas e não faltam relatos nas revistas sobre os perigos envolvidos neste serviço. O recado, depois do relato sobre as dúvidas, felizmente, é: permitam-se levar pela Ferrari sem medo. Todo mundo sabe que ela corre horrores e faz curvas perigosíssimas. Mas lembrem-se que há todos os equipamentos de segurança. Como não aprovar uma Ferrari?
    Metáforas sobre o carro à parte, pergunta retórica novamente: - menino, você é deste planeta?

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  12. Tô com saudades de seus posts.
    Abração!!!!!!

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  13. ...

    Eu sou de Marte, mas tô doido pra conhecer Vênus.. :)

    Mulher, mulher, assim você me deixa sem jeito. Mas obrigado. Eu adoro quando aprovam o test-drive..

    Eu tô vivo, meu povo..

    ...

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  14. tom_adventure@hotmail.com15 de novembro de 2011 22:42

    Estou com receio até de escrever, apreensivo demais, já faz algum tempo que observo sites de relacionamentos e até liguei para alguns garotos de programa, mas não tive coragem de ir encontrá-los. Obs: Não dei o "toco" neles, o que falou mais alto foi o mêdo, eu sendo homem entregar-se a outro homem é ser submisso de+, destarte retrocedir. Já tive relacionamento com alguns garotos(mas não de programa), daqueles bem em "off", (estranha posição esta minha!) os que eu tive contatos foram amigos de trabalho, e eles foram tão incríveis que até parece que nada aconteceu, eu sei que com um garoto de programa terei a mesma discrição, mas ainda me vejo estranho, e quando lembro desta estranheza minha kbça vira um turbilhão. O receio que tenho é do antes, não do momento e nem do depois, até porque o depois... Já foi. Como tocar em um homem? Abraçar o corpo de um macho, sentir a soberania masculina é preciso confiança, tem que se entregar a submissão. Não é apenas um estranho que estar em jogo, um ator, um artista da vida, um garoto de aluguel, mas um HOMEM. Tenho vontade de sentir-se à vontade, amparado e submisso, de extravasar este desejo com alguém nem que seja por um momento, de maneira que nunca aconteceu. Gosto de ver sua masculinidade, os seus comentários são ótimos, eis aí minha apreensão, estou me sentindo obrigado a lhe conhecer.

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  15. tá vivo? queremos mais posts!

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